a igreja tá lançando uma campanha sinistra anti-aborto com a visita do papa, e o slogan de todo catolico, evangelico e crente em geral é “em respeito à vida”. curioso q a mesma “companhia” q patrocinou as cruzadas e diversas queimas de “bruxas” e até negros por seculos agora seja favoravel à vida

mais curioso é q eu tenho certeza q a maior parte do grupo anti-aborto é a mesma que é a favor da tolerancia zero da policia nas favelas e a morte de traficantes, cuja maioria provavelmente nem estaria aí pra contar a historia se o aborto fosse permitido. ser pela vida para ser pela morte depois? a proposito, ontem chegamos a 31 vitimas de balas perdidas na vila cruzeiro

é claro que mesmo do deserto pode surgir uma rosa, é claro q das situaçoes mais adversas pode surgir o maior heroi de todos os tempos, mas as probabilidades sao mto negativas pra se apostarem nelas. a mulher e a familia deveriam ter o direito de escolher. de q adianta outra vida se ela vai ser jogada fora, se ela nao terá condiçoes minimas de sobrevivencia, ou se tornará um fardo à sociedade no sistema de reabilitaçao juvenil?

essa é uma briga politica muito mais do q qqr otra coisa. lendo as declaraçoes dos dons e bispos nos jornais, fica claro q a igreja catolica está recalcada pelo papel de segundo plano a q está caindo na sociedade brasilera e quer ganhar importancia novamente. ao mesmo tempo, a igreja evangelica está crescendo, mas pelo visto ainda nao o suficiente para ser um fator nessa discussao do aborto

as igrejas sabem do potencial q vidas em desespero tem para sua continuaçao. religião é q nem jornal, vive de sofrimento e esperança. se não houvesse vidas sofridas, quem iria à igreja? qto mais miseraveis propensos a acreditar na ideologia, melhor. no caso de uma mãe forçada a ter um filho indesejado em uma situaçao incomoda, melhor ainda: mais dois fiéis

vamos deixar mto claro: não tenho religiao, mas respeito q todos tem o direito de ter uma, e de seguir seu sistema de crenças. eu acredito em Deus e na existencia de jesus cristo, embora nao creia q ele era A encarnaçao de Deus na Terra; pra mim, somos todos Deus na terra e jesus foi um iluminado, o maior profeta da historia. não acredito q exista ou existirá um “messias”, respeito-o se vc acredita. mas minha visao qto a isso nao tem nada a ver com meu ponto de vista sobre a posiçao da igreja nessa questao do aborto

como sempre, volta tudo pra questao da educaçao. se vc quer ser a favor da vida e anti-promiscuidade, trate de educar qto ao sexo e qto as consequencias do ato desde cedo. em vez de um ensino baseado na formaçao pre-vestibular e em simples matematicas e lingua portuguesa, a escola devia tratar da sociedade brasileira e mundial; em vez de simples decoreba de fatos historicos e pontos geograficos, devia relacionar e discutir acontecimentos passados com o presente (por exemplo, como eu estou fazendo: quanta gte sabe q a igreja patrocinou algumas das maiores carnificinas na historia, e qtos notam q a missao de bento xvi, como já era a de joao paulo ii, é reparar os danos historicos feitos pela igreja, enquanto ao mesmo tempo tenta retomar sua importancia politica?) em vez de formar peões, formar cidadãos

se sua opçao é formar seus filhos em um sistema religioso, sob a doutrina catolica ou evangelica ou judaica ou o q quer q seja, vc tem esse direito, e se essas doutrinas são ani-aborto, é um direito delas e de seus seguidores. mas quem nao concorda com essas igrejas e é laico nao devia ser punido e forçado a alguma coisa por causa disso: a mulher deveria ter o direito de escolha. a sociedade tem o direito de decidir se o aborto é legal ou nao. a igreja tem o direito de participar e fazer campanha, só nao pode achar q vai impor sua vontade a esta sociedade